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17 de mar. de 2009

13 O lado desumano do ser humano

Sabe quando você preferia escrever sobre as confusões dentro da casa do BBB9 a falar de certos temas que te lembram que o ser humano é capaz de atos que o nosso lado humano não consegue entender?
Pois é..

Tem gente que em situações assim prefere se referir a algumas pessoas como 'monstros' (a mídia costuma fazer muito isso). Eu confesso que não gosto porque me parece que ao fazer isso é como se tirássemos do ser humano a capacidade que ele tem de ser desumano ao fazer coisas que nem os monstros como Frankenstein realizariam se fossem reais.

Tempos atrás eu ‘tentei’ fazer um post sobre determinado assunto...
Fiquei nessa tentativa durante dias; escrevi posts que davam 24 páginas, cortei, reescrevi, mas usando muitas ou poucas palavras o problema continuava porque eu falava, falava, mas não conseguia passar pro PC o que já era um emaranhado de informações e incompreensões que ficavam girando em minha mente.

E o post acabou perdido numa pasta do computador e eu fui escrevendo sobre outras coisas.

Mas hoje o assunto voltou à cena e eu confesso que continuo com a mesma dificuldade pra escrever sobre o caso, afinal, será que alguém é capaz de se imaginar em tal situação a ponte de saber o que passa pela cabeça de alguém violentada pelo próprio pai desde os onze anos, que é levada aos dezoito para um porão construído pelo pai, sob sua casa, um espaço minúsculo, a prova de som, sem janelas.

Lá ela é dopada, algemada e mantida por 24 anos sendo estuprada e tendo vários filhos do homem que devia protegê-la de homens assim, afinal, não é isso que se espera de um pai? Que ele ame e proteja das maldades do mundo os seus filhos?

Já li sobre vários casos que me provocaram revolta, medo, nojo... Mas confesso que diante desse, talvez em parte por ter sido uma ação realizada durante tantos anos, a mais forte sensação em mim é uma incompreensão sobre o ser humano que vai além do que todas as minhas teorias são capazes de explicar (o que não quer dizer justificar).

Elizabeth teve sete filhos com o pai. Um morreu no porão logo depois de nascer com problemas e não receber atendimento médico. Três das crianças, ainda bebês, Josef levou para cima e largou na frente da porta da casa como se Elizabeth os tivesse abandonado ali e os outros permaneceram com ela lá embaixo.

No porão só havia uma vontade, a de Josef.

Nos primeiros dias de encarceramento ele não falava com ela, apenas descia, a violentava e saia.
Durante os 24 anos que se seguiram, se eles o desobedeciam, ele desligava a luz por dias e cortava a comida.

Josef saía em férias e os deixava trancados naquele porão enquanto ele se divertia na praia e fico imaginando o desespero deles ‘rezando’ pra que nada acontecesse a ele pra que não morressem abandonados ali ou será que ele dizia a eles que havia um sistema automático que depois de um número x de dias destravaria a porta e então eles estariam livres (o que talvez os levasse a ‘rezar’ pra que ele morresse pra que eles finalmente pudessem viver).

As duas possibilidades são cruéis.

E você já pensou como é nascer e crescer numa situação dessas? Provavelmente até mesmo a liberdade, ao mesmo tempo em que era algo fascinante, também devia ser um pensamento assustador.
Mas a verdade é que mesmo o que nos choca acaba sendo esquecido por nós com o tempo. Sendo assim eu não escrevi o tal post e não pensei mais no assunto, mas ao ler uma matéria no site do Jornal Nacional algo que eu achava ser impossível aconteceu.

Depois de tantos detalhes sórdidos e inexplicáveis que eu li sobre o caso (algumas estão AQUI onde tem uma cronologia sobre os fatos), algo ainda mais irreal veio se juntar ao caso.

Na Áustria, começou, nesta segunda-feira, o julgamento de Josef Fritzl e de acordo com as leis austríacas, por estupro, incesto e seqüestro, Joseph não passa mais que seis anos e meio na prisão por ser réu primário e também por já ter 73 anos de idade.
A ‘lei’ tenta fazer ‘justiça’ no caso de Elizabeth mais de 24 anos depois dela ser levada para aquele porão e diante dos atos praticados por Josef a ela e aos filhos gerados durante esses anos, infelizmente coube justamente a ‘justiça’ as piadas dessa história.
Porque ‘no máximo seis anos e meio de prisão’ pra Josef só pode ser brincadeira.

Ele tem 73 anos? E daí?

Ele roubou da vida de Elizabeth muito mais do que os 24 anos que a manteve presa, sem contar os anos que tirou dos filhos que teve com ela, mas mais do que isso, alguém será que pode dizer quantos anos Elizabeth e os filhos vão precisar pra deitarem no travesseiro e não terem pesadelos?
Será que eu VOU TER que fazer um post com mais de 24 páginas falando o porquê acho uma piada de muito mal gosto a possibilidade de Josef pegar ‘no máximo seis anos e meio na prisão’ diante dos atos praticados por ele?

NÃO me forcem a fazer isso hein?
Olha que eu escrevo e entro na justiça pra obrigar quem redige e aprova leis assim a lerem no mínimo 24 milhões de vezes.

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